quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Contentores marítimos transformados em casas

Durante décadas taparam a vista sobre os rios. Hoje, os contentores marítimos começam a ser, no mínimo, interessantes na vida contemporânea, respondendo a muitos dos novos pressupostos que nos mudam o mundo!


Espaços definitivos, sejam eles domésticos ou comerciais serão, cada vez mais, coisa do passado recente. O quotidiano, como o conhecíamos, mudou estrutural e praticamente em todos os níveis. Alterações climáticas, conflitos armados, migrações por vezes maciças, emigração económica, todos estes trouxeram para os computadores dos designers questões para duas novas premissas:
a portabilidade e a mobilidade.



O contentor de carga marítima estava “já ali” e oferecia imediatamente um solo, quatro paredes e um tecto!



Aço pintado industrialmente, preparado para resistir ao granizo do Estreito de Bering, e a partir de
2.5 x 2.5 x 6 metros em média, maior que muitas divisões, até à versão lounge, mesmas larguras com uns assombrosos 12 metros de comprimento.

Porque na sua génese esteve o factor “empilhável”, a construção com contentores pode facilmente crescer em altura, em princípio até sete andares. Alguns ateliers de arquitectura conseguem maior número de sobreposições, se conjugados com alguma espécie de estrutura de suporte e fundações ao solo.

Se o seu novo espaço tiver mais do que uma divisão, não faz mal, também aqui pode empilhar quarto, sala e cozinha. Estas são as mais valias em que os contentores ganham sobre a construção modular tradicional. Na construção modular, aquando da mudança, é necessário desmontar e montar no novo local. O contentor, não. Ele é transportado de um lado para o outro e é só “largá-lo” no sopé da serra ou na praia favorita! Obviamente, onde for que o coloque, o terreno tem que ser seu ou, pelo menos, ter autorização para o fazer e seguir a legislação local! :)

Para além disso, uma "casa-contentor" é uma opção mais barata.


O isolamento não será o de um quarto num hotel de luxo mas tem que ser, forçosamente, razoável; afinal, a carga tem que chegar seca ao lado de lá do oceano!



Quem os vende em bruto, pode entregá-los já com janelas e caixilhos em aço sólido e tomadas externas CEE galvanizadas. Mas este é o básico dos básicos, as coisas daqui para a frente ficam muito mais interessantes.

Neste novo negócio tem mais jogo de cintura quem com eles trabalha há mais tempo, ou seja, as cidades portuárias. As portuguesas não estão na linha da frente mas, também, não estão em último. Os portos da Dinamarca foram dos primeiros pontos de invenção deste novo modo de vida e, uma marca mais à frente, é a World Flex Home, que continua a fazer do simples contentor o cerne da habitação. Entretanto, graças à intervenção dos arquitectos, constrói agora casas de aspecto “normal” – a abolição de uma ou mais paredes para espaços XL, a distanciação calculada entre um contentor e outro, formando pátios, jardins e passadiços, paredes interiores e exteriores e solos forrados com novos ou clássicos materiais, aproveitamento dos telhados para painéis solares e recolha de água da chuva para autoclismos, águas de lavagem e rega.

Normal? Muito melhor do que o normal! :)


E você, o que acha deste conceito de habitação?


(clique na imagem para aumentar) 








Fontes:
- "Lá fora cá dentro" - João Galvão
- worldflexhome.com

1 comentário:

Anónimo disse...

Será? Gostei da ideia!